A Federação Internacional de Diabetes (IDF) reconheceu oficialmente uma nova classificação para o diabetes: o tipo 5328 . Apesar de parecer uma descoberta recente, esse tipo já era descrito há décadas, especialmente em países tropicais e de baixa renda. Com nomes como "diabetes tropical" ou "diabetes tipo J"327,329 , ele voltou ao centro do debate global em 2025, confirmando seu perfil metabólico distinto329.
A Federação Internacional de Diabetes (IDF), divulgou uma matéria informativa327 sobre o tema, ressaltando a importância dessa nova nomenclatura para ampliar o conhecimento sobre a doença e promover melhores estratégias de diagnóstico e tratamento.
O que é o diabetes tipo 5?
O diabetes tipo 5 apresenta provável relação com desnutrição calórico-proteica327 vivida na infância ou ainda na gestação. A falta de nutrientes nesse período comprometeria o desenvolvimento do pâncreas, ocasionando diminuição das células pancreáticas produtoras de insulina. O resultado é uma produção parcial de insulina: não o suficiente para controlar adequadamente a glicemia, mas o bastante para evitar a cetoacidose diabética, comum no diabetes tipo 1327 .
Quem pode desenvolver esse tipo de diabetes?
Essa forma da doença afeta principalmente adolescentes e jovens adultos com baixo peso corporal (IMC abaixo de 18,5-19)327, comum em países de baixa e média renda, pois está intimamente ligado à desnutrição327. É mais comum em países da África e Ásia especialmente, em regiões rurais327. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, ainda não há dados sobre a prevalência do diabetes tipo 5 no Brasil, mas há suspeitas de que ele possa estar sendo confundido com o tipo 1, já que ambos aparecem em pessoas mais jovens e com baixo IMC.
Quais são os sintomas?
Os sintomas se assemelham aos do diabetes tipo 1, como:
- Sede excessiva e urina frequente;
- Perda de peso;
- Fadiga297;
No entanto, há diferenças importantes. No diabetes tipo 5, a produção de insulina, embora reduzida, ainda existe. Por esse motivo, esses pacientes não costumam desenvolver cetoacidose diabética327, uma complicação frequente no diabetes tipo 1. O que contribui para ajudar a diferenciar os dois tipos. Além disso, há histórico de desnutrição severa e, muitas vezes, baixa estatura ou outros sinais de deficiência nutricional na infância.
Como diferenciar o diabetes tipo 5 do tipo 1 ou tipo 2?
- No tipo 1, há destruição autoimune das células beta, deixando pouca ou nenhuma insulina e exige múltiplas aplicações diárias para compensar essa falta329.
- No tipo 2, está relacionado com o excesso de peso e resistência à insulina, e o quadro costumar aparecer entre 35-40 anos327;
- No tipo 5, tem origem na desnutrição infantil, que pode prejudicar o desenvolvimento do pâncreas e reduzir a produção de insulina e contribuir para o mau controle metabólico329.
Essas diferenças são fundamentais para o diagnóstico correto e o sucesso do tratamento.
Qual é o tratamento indicado?
O tratamento não depende apenas de insulina. Sendo necessário um adequado aporte calórico, de proteínas e de micronutrientes327 . Segundo o Dr. Fernando Valente, o desconhecimento sobre esse tipo de diabetes pode levar a subnotificação: “Talvez existam casos no Brasil, mas possivelmente estejam rotulados como DM1 por causa da sobreposição de características, como a idade precoce de aparecimento do diabetes e o baixo IMC”327 , explica.
Por que o reconhecimento do tipo 5 é importante?
A Federação Internacional de Diabetes (IDF), ao reconhecer essa condição como diabetes tipo 5, lançou um alerta global. Durante o Congresso Mundial de Diabetes 2025, o presidente Dr. Peter Schwarz anunciou a criação de um grupo de trabalho para estabelecer critérios diagnósticos formais e diretrizes terapêuticas329. Esse movimento é fundamental para ampliar a visibilidade da doença, garantir mais estudos e permitir que mais pessoas recebam o tratamento correto. A Sociedade Brasileira de Diabetes está atenta às novidades sobre o diagnóstico e tratamento deste tipo de diabetes e aguarda as diretrizes internacionais relacionadas a ele.
E no Brasil?
Ainda não há dados oficiais sobre a presença de casos no país. No entanto, a subnotificação é provável, principalmente em áreas de difícil acesso ao sistema de saúde, onde os casos podem não apresentar diagnóstico e tratamento correto. Ampliar o conhecimento sobre o diabetes tipo 5 é uma forma de garantir maior informação sobre o cuidado com pessoas que enfrentam múltiplas vulnerabilidades: biológicas, sociais e nutricionais.
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