Páscoa e diabetes: é possível aproveitar com segurança e sabor?
A Páscoa costuma ser uma época repleta de chocolates, guloseimas e celebrações em família. Para quem vive com diabetes, isso não precisa significar privação. Com informação e planejamento, é totalmente possível aproveitar esse momento de forma equilibrada e segura.
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)355 orienta que o chocolate pode, sim, fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes, desde que com alguns cuidados importantes:
- A quantidade faz toda a diferença: o ideal é não ultrapassar 25g por porção;
- Chocolates diet não contêm açúcar, mas costumam ter mais gordura, o que pode levar a uma hiperglicemia mais tardia;
- Chocolates com alto teor de cacau (acima de 70%355) têm menor índice glicêmico e mais benefícios nutricionais;
- Sempre que possível, consuma chocolate como sobremesa de uma refeição principal, para reduzir o impacto glicêmico;
- Se você utiliza insulina e faz contagem de carboidratos, lembre-se de ajustar a dose conforme a quantidade ingerida;
- Monitore a glicemia antes, 2h e até 5h depois do consumo, especialmente em chocolates com alto teor de gordura;
- Uma alternativa mais equilibrada é utilizar pequenas quantidades de chocolate como cobertura de frutas;
- E claro, sempre que possível, conte com o acompanhamento de um nutricionista para adaptar seu plano alimentar com segurança.
Com conhecimento e atenção, é possível viver uma Páscoa mais doce, sem abrir mão da sua saúde.
Um relato de uma Páscoa mais saborosa e segura
Confira abaixo o relato do jornalista e DM1, Tom Bueno, que compartilha como ele tem aproveitado esse período nos últimos anos.
“Eu sempre fui apaixonado pela Páscoa e por chocolate. Mas no primeiro ano após o meu diagnóstico de diabetes tipo 1, quase não ganhei ovos de chocolate. Entendia o motivo: tinham medo de que o chocolate me fizesse mal. As opções sem açúcar eram raras. Ainda assim, uma amiga encontrou um ovo pequeno, diet, e me deu de presente.
Na época, eu não fazia contagem de carboidratos. Minhas doses de insulina eram fixas, e a única coisa que eu fazia era medir a glicose depois de comer, esperando que estivesse dentro da meta — o que quase nunca acontecia. Eu não tinha acesso à educação em diabetes e nem à tecnologia que existe hoje.
A vontade de comer chocolate era tanta que nem esperei o almoço. Comi logo cedo. Como era “diet”, pensei: posso comer à vontade. Ingenuidade minha? Não. Era falta de informação mesmo. Comi o ovo inteiro. Duas horas depois, a glicose estava um pouco mais alta, mas nada preocupante. Só que antes do almoço, tomei um susto: 380 mg/dL. Apliquei insulina para corrigir e fiquei frustrado. Na minha cabeça, o fato de o chocolate ser diet resolvia tudo.
Anos mais tarde, entendi que não é bem assim. O açúcar é substituído por adoçantes, mas outros ingredientes continuam ali — como a gordura, que retarda a absorção dos carboidratos, provocando um pico glicêmico mais tarde. Aprendi isso quando comecei a estudar contagem de carboidratos, mas vi com clareza mesmo quando comecei a usar o sensor de glicose. Foi aí que compreendi: eu podia, sim, comer o ovo de Páscoa tradicional. O que eu precisava era monitorar minha glicose com atenção e saber fazer os ajustes necessários.
Quando contei isso para alguns amigos, muitos se espantaram. Tive que explicar todo esse processo de aprendizado — e sigo explicando até hoje.
Confesso que, neste ano, estou ainda mais tranquilo. Com o sensor FreeStyle Libre 2 Plus, tenho alarmes opcionais270 que me avisam se a glicose estiver subindo ou caindo. Olhando para trás, jamais imaginaria que a tecnologia e o conhecimento transformariam tanto a minha vida com o diabetes.
A Páscoa é só um exemplo. Muitos outros momentos já foram impactados positivamente com informação, educação em saúde e o uso das ferramentas certas.
E posso dizer com toda a certeza: minha Páscoa está mais saborosa e segura.”
Este é um relato verídico e contém as experiências empíricas do jornalista e influenciador Tom Bueno.
O programa de fidelidade do FreeStyle Libre.
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