O reconhecimento do diabetes tipo 5 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) trouxe à tona um tema que ainda levanta muitas perguntas. Se no primeiro texto falamos sobre causas, sintomas e tratamento, agora vamos apresentar outros aspectos que colaboram para compreensão desta classificação, atualmente em processo de caracterização.
1. O diabetes tipo 5 é hereditário?
Diferente do tipo 1, que tem relação com predisposição genética e gatilhos autoimunes, ou do tipo 2, que pode envolver histórico familiar, o tipo 5 está ligado a fatores ambientais e nutricionais vividos na infância ou até durante a gestação. A herança genética não é o fator determinante, mas sim a exposição à desnutrição, que afeta principalmente adolescentes e jovens adultos magros e desnutridos327.
2. É possível prevenir?
Em teoria, sim. A prevenção passa por garantir nutrição adequada desde a gestação e nos primeiros anos de vida329. Políticas públicas que combatem a fome e a insegurança alimentar são fundamentais para reduzir o risco dessa condição no futuro. Como se trata de um diabetes relacionado ao passado nutricional da pessoa, a prevenção precisa começar muito antes do aparecimento dos sintomas328.
3. Como é feito o diagnóstico?
Atualmente, o diagnóstico é clínico — ou seja, baseado na história de vida, exame físico e alguns testes laboratoriais. Os médicos observam:
- Hiperglicemia persistente com sintomas clássicos, como sede excessiva e produção de maior volume de urinaBR10;
- Baixo IMC (Índice de Massa Corpórea)BR10;
- Deficiência grave de insulina sem marcadores autoimunesBR10;
Ainda não existe um exame específico para confirmar o tipo 5, o que contribui para a confusão com outros tipos de diabetes329.
4. Por que doses altas de insulina podem ser perigosas?
Pessoas com diabetes tipo 5 produzem pequenas quantidades de insulina naturalmente329. Quando recebem doses elevadas do hormônio, o risco de hipoglicemia grave é maior, pois não há resistência à insulina como no tipo 2. Por isso, o tratamento costuma incluir doses menores e foco na reabilitação nutricional328.
5. Esse tipo de diabetes é comum no Brasil?
Não há dados concretos, mas especialistas acreditam que exista um número desconhecido de casos, principalmente em regiões com histórico de insegurança alimentar e baixa renda. Muitos podem estar registrados como tipo 1 por apresentar características e sintomas semelhantes a esta condição327.
6. Qual é o impacto social da doença?
O diabetes tipo 5 afeta populações vulneráveis, combinando desafios de saúde, nutrição e acesso a tratamento. Além do controle glicêmico, essas pessoas enfrentam consequências da desnutrição precoce, como baixa estatura, menor massa muscular e maior risco de outras doenças329.
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